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Coletivo SOMOS pede ao MPE que inclua agravante de transfobia em assassinato de mulher trans tocantinense

Coletivo SOMOS pede ao MPE que inclua agravante de transfobia em assassinato de mulher trans tocantinense

O Coletivo SOMOS solicitou ao Ministério Público Estadual (MPE-TO) a inclusão de agravante de transfobia na investigação do assassinato de Suzane Almeida, mulher trans encontrada sem vida no município de Guaraí, no norte do estado. O pedido formal foi protocolado na última sexta-feira (10/04) e busca que o caso seja apurado também sob a perspectiva de crime motivado por identidade de gênero.

De acordo com nota divulgada pela Secretaria de Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO), a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte. O corpo da vítima foi localizado na tarde do dia 7 de abril, nas proximidades do antigo posto fiscal, às margens da BR-153, a cerca de cinco quilômetros do perímetro urbano da cidade. Há indícios de que o crime tenha sido cometido com o uso de arma de fogo, embora a causa da morte ainda dependa de confirmação pericial.

A SSP informou ainda que Suzane estava de passagem pelo município, e que as diligências seguem em andamento para identificar possíveis suspeitos e esclarecer a autoria e a motivação do crime.

No documento, o Coletivo SOMOS destaca que, por se tratar de uma pessoa trans, é fundamental que a investigação considere a possibilidade de motivação discriminatória, evitando a invisibilização de crimes de ódio contra a população LGBTQIAPN+.

A representação também menciona decisões do Supremo Tribunal Federal que equiparam práticas de homofobia e transfobia aos crimes previstos na Lei de Racismo, o que pode resultar em agravantes ou qualificadoras penais caso a motivação discriminatória seja comprovada.

Entre os pedidos encaminhados ao Ministério Público estão o acompanhamento integral do inquérito, a inclusão formal da linha investigativa relacionada à homotransfobia, e a responsabilização dos autores com a aplicação rigorosa da legislação vigente.

Para a porta-voz do Coletivo, Thamires Lima, a atuação institucional é essencial para garantir uma investigação completa. “É fundamental que todas as hipóteses sejam consideradas desde o início, especialmente quando se trata de uma pessoa trans, que historicamente enfrenta altos índices de violência. Não podemos permitir que a motivação do crime seja ignorada”, afirmou.

Ela também destacou a importância de uma abordagem com foco em direitos humanos. “Quando o Estado reconhece e investiga adequadamente possíveis crimes de ódio, ele não apenas busca justiça para a vítima, mas também envia uma mensagem clara de que esse tipo de violência não será tolerado”, disse.

O documento encaminhado ao MPE reforça ainda que o Estado tem o dever de conduzir investigações com diligência e perspectiva de direitos humanos, especialmente em casos que envolvem grupos historicamente vulnerabilizados, como a população trans.

Thamires ainda reforçou a necessidade de resposta das instituições: “Nosso objetivo é garantir que esse caso não seja tratado como mais um. É preciso rigor, sensibilidade e compromisso com a verdade para que Suzane não seja apenas mais um número nas estatísticas de violência contra pessoas trans “, finalizou.

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