A Câmara Municipal de Palmas aprovou, nesta terça-feira, um dos principais projetos do mandato do vereador Walter Viana (PRD), voltado ao atendimento de crianças e adolescentes com diabetes mellitus tipo 1 na rede pública de saúde.
A proposta estabelece diretrizes para ampliar o acesso a medidores e sensores de monitoramento contínuo de glicose, tecnologia considerada essencial para melhorar o controle da doença e reduzir o sofrimento de pacientes e familiares.
A matéria agora segue para sanção do prefeito. A expectativa aponta para regulamentação e início da implementação ainda neste mês de maio, possivelmente dentro da programação do aniversário de Palmas.
Demanda nasceu das famílias
O projeto surgiu a partir da mobilização de pais de crianças diagnosticadas com diabetes tipo 1, que enfrentam dificuldades diárias no controle da doença.
Entre eles está a autônoma Luanna Medeiros, mãe de Gustavo Medeiros, de 9 anos, que convive com o diagnóstico há mais de quatro anos. Em entrevista ao Jornal Sou de Palmas, ela relatou que a busca por apoio começou logo após a descoberta da doença.
Luanna afirma que, desde o início, identificou a necessidade de uma política pública voltada ao tema, mas não encontrou espaço para apresentar a demanda. Segundo ela, o cenário mudou após o contato com o vereador.
“Desde o diagnóstico do meu filho, eu já tinha essa pauta. Mas não encontrava uma porta aberta. Quando conheci o vereador, ele abraçou a causa e passou a lutar junto com a gente”,
A realidade enfrentada pelas famílias envolve cuidados contínuos e exaustivos. Segundo a mãe, o acompanhamento exige atenção integral.
“A rotina é intensa, cansativa e constante. Preciso medir a glicemia inúmeras vezes durante o dia, inclusive de madrugada. O diabetes não tem dia nem hora”, disse à reportagem.
Ela afirma que um dos maiores desafios consiste em manter os níveis de glicose dentro do alvo. Para isso, realiza medições frequentes com perfurações no dedo, o que gera dor e desconforto.
“A maior dificuldade é manter a glicemia no alvo. Preciso furar o dedo dele várias vezes por dia, e isso é o que mais dói nele”, relatou.
Tecnologia e custo no centro do debate
Os sensores de monitoramento contínuo aparecem como alternativa para reduzir esse impacto. Segundo Luanna, o dispositivo permite acompanhamento em tempo real e resposta rápida em caso de alteração.
“O sensor fica no braço e mede a glicemia o tempo todo. Assim conseguimos agir mais rápido e evitar tantas furadas”, explicou.
Ela também destaca o impacto no bem-estar emocional da criança. Segundo a mãe, o tratamento constante afeta o psicológico, e qualquer melhora já representa alívio.
Apesar dos benefícios, o acesso aos sensores ainda é restrito. Luanna afirma que o custo do tratamento pesa diretamente no orçamento familiar.
“O custo pesa demais. Hoje é o que mais impacta no nosso orçamento”, disse.
Durante a tramitação do projeto, dados indicaram que sensores podem custar cerca de R$ 300 e exigem troca a cada 15 dias, o que dificulta a continuidade do uso, principalmente para famílias em situação de vulnerabilidade.
Expectativa após aprovação
Com a aprovação no plenário, a expectativa se volta para a sanção e implementação da medida. Para Luanna, o avanço representa mudança significativa na vida das famílias.
“Muda tudo. Teremos uma melhora gigantesca no tratamento. Vai reduzir as dores e melhorar a qualidade de vida”, afirmou.
Ela também aponta impacto coletivo.
“Muitas famílias serão beneficiadas. O diabetes exige cuidado constante e mexe muito com o psicológico das crianças”, disse.
Ao saber da aprovação do projeto, a reação foi imediata.
“Chorei de felicidade. Foi uma emoção enorme”, relatou ao Jornal Sou de Palmas.
Próximos passos
O projeto aprovado autoriza o Executivo a avaliar a inclusão dos sensores e medidores nos protocolos da rede municipal de saúde, além de permitir parcerias para viabilizar o acesso à tecnologia.
A medida ainda depende de sanção do prefeito e regulamentação para definir critérios,
Por: Redação.
